Número de nascimentos feitos por partos cesáreas é maior que o indicado pela OMS no país

Com os avanços de recursos, os partos cesáreas passaram a fazer cada vez mais parte da vida das brasileiras.  Atualmente, no país, o número de cesarianas corresponde a 55,6%. A recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) é que esse número seja de 15%.

De acordo com um relatório elaborado pela OMS em abril de 2015, o Brasil é um dos líderes disparados em cesarianas. No ranking, somos o único país do globo a ter mais da metade de todos os nascimentos feitos por essa cirurgia: 53,7%. Dito isso, desde 2014, o governo tem editado normas e resoluções para evitar o que chama de “epidemia de cesarianas”.

Um dos motivos que levam as mulheres a optarem pelo parto cesárea é o medo da dor. De acordo com um estudo da Fiocruz, realizado com 24 mil gestantes, esse receio atinge a maioria das mulheres.

O ginecologista do HSANP, Centro hospitalar localizado na zona norte de São Paulo, Gilberto Nagahama, explica que raramente o parto normal não causará dor, mas há maneiras de minimizar a sensação.

“Existem diversos trabalhos que mostram que a dor do trabalho de parto pode, em algumas situações, ser aliviada por um bom acolhimento familiar e hospitalar. Em hipótese alguma, o incômodo é de origem psicológica, mas parece que há uma relação direta entre o estado emocional e o limiar da dor”, declara o médico.

Apesar desse ponto negativo, o profissional afirma que os bebês nascidos de parto normal têm uma tendência a serem mais saudáveis, caso não ocorra nenhuma intercorrência. De acordo com o Ministério da Saúde, a cesariana sem indicação médica pode aumentar 120 vezes os riscos dos problemas na respiração para o recém-nascido.

Outra grande diferença entre os dois tipos de procedimentos está relacionada ao período pós-parto. Nesse momento, as pacientes submetidas às cesarianas têm maior dificuldade na mobilidade e apresentam um aumento dos riscos ligados a qualquer cirurgia, como as hemorragias, infecções, anestesias, entre outros.

“A recuperação é o período em que o corpo da mãe e seus órgãos internos retornam ao estado anterior ao da gravidez. Esse fenômeno demora 42 dias. A grande diferença está nessa fase, que é mais delicada e dolorosa para as pacientes que foram submetidas ao parto cesárea”, diz Nagahama.

Contudo, o especialista afirma que a cesariana sempre será necessária quando a evolução do trabalho de parto aumentar o risco de resultados negativos para mãe ou bebê. “O melhor parto é aquele que oferece o menor risco. Ter uma família saudável é o nosso principal e único objetivo”, declara o médico.

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